1 2 3 4

Explicações das teorias de Ken Day — Parte 1

 Clube do Concreto · Série técnica · Parte 1 de 3


Superfície específica: a lógica por trás da dosagem

Uma curva granulométrica mostra como os tamanhos dos grãos se distribuem. Ken Day propõe olhar também para outra informação: a superfície que esses grãos oferecem à pasta.

Ao dosar um concreto, não basta perguntar quanto agregado graúdo e miúdo será utilizado. É preciso compreender como a dimensão, a distribuição e a forma das partículas influenciam a quantidade de pasta, a demanda de água e a coesão da mistura. É nesse contexto que a superfície específica se torna uma ferramenta de interpretação.

Por que olhar além da curva granulométrica?

A ideia de relacionar a superfície dos agregados à dosagem é anterior ao trabalho de Day. A publicação original desta série recordava contribuições de Edwards, Young e Stewart, além do procedimento de Newman e Teychenné, de 1954, discutido como alternativa às curvas da Road Note 4.

O ponto central é que não existe necessariamente uma única curva capaz de produzir um concreto satisfatório. Distribuições granulométricas diferentes podem apresentar comportamento semelhante em determinadas condições. Na abordagem de Day, um índice de superfície ajuda a comparar essas distribuições e a acompanhar mudanças nos materiais.

A ideia de partida

Uma alteração granulométrica que muda a superfície total pode modificar o comportamento do concreto. Se o índice de superfície permanece semelhante, algumas propriedades podem permanecer próximas — desde que os demais fatores também sejam compatíveis.

Essa equivalência é uma hipótese de trabalho a ser verificada. Duas misturas com o mesmo índice ainda podem diferir em forma dos grãos, empacotamento, mineralogia, absorção e presença de argilas.

Grãos menores, maior superfície por volume

Para entender a relação, vamos representar os grãos por esferas. Trata-se de um modelo geométrico didático, e não da descrição exata de um agregado real. Para uma esfera de diâmetro D e raio R:

S = πD²   ·   V = πD³/6
S/V = 6/D = 3/R

Ao reduzir o diâmetro, a área de cada grão diminui. Entretanto, para manter o mesmo volume de sólidos, passa a ser necessário um número maior de grãos. O resultado é o aumento da área total por unidade de volume.

1 esfera · diâmetro DDivisãoMesmo volume8 esferas · diâmetro D/2
Figura 1 — Dividindo uma esfera em oito esferas com metade do diâmetro, conserva-se o volume e duplica-se a área total. Esquema geométrico, sem representação do empacotamento.
Quadro 1 — Relações geométricas para partículas esféricas
Diâmetro D (mm)Área S (mm²)Volume V (mm³)S/V (mm⁻¹)
38,004.536,4628.730,91200,158
19,001.134,113.591,36400,316
9,50283,53448,92050,632
4,7570,8856,11511,263
2,3617,506,88232,542
1,184,37440,86035,085
0,601,13100,113110,000
0,300,28270,014120,000
0,150,07070,00176740,000
0,0750,01770,00022180,000

O quadro foi recalculado com as relações geométricas acima. A última coluna é uma razão área/volume, expressa em mm⁻¹. Ela não deve ser confundida com os fatores empíricos de superfície específica modificada apresentados na próxima parte.

Da distribuição granulométrica a um índice

Em vez de contar e medir individualmente todos os grãos — tarefa especialmente difícil nas frações finas —, utiliza-se a distribuição por peneiramento. Cada fração recebe um fator representativo, e sua contribuição depende da quantidade presente na amostra.

Esse raciocínio permite reunir a granulometria em um indicador. Porém, o resultado só é comparável quando se mantém a mesma definição dos fatores, a mesma base de cálculo e a mesma convenção para as frações retidas.

O teor de areia e a forma das partículas

Na interpretação de Day, a superfície específica ajuda em duas decisões relacionadas: estimar alterações na demanda de água e orientar ajustes na proporção de areia. Elas não são, contudo, a mesma decisão.

Quadro 2 — O que muda quando muda a areia?
AlteraçãoInterpretação para a dosagem
Areia mais finaUma quantidade menor pode proporcionar coesão semelhante à de uma quantidade maior de areia mais grossa. A hipótese precisa ser conferida na mistura.
Partículas menores em relação à britaPodem preencher espaços com menor interferência no esqueleto graúdo; o resultado depende da distribuição completa e das proporções.
Maior angularidade ou textura mais ásperaPode elevar a demanda de água e alterar o empacotamento. Não equivale simplesmente a reduzir o tamanho dos grãos.

Por isso, incorporar indiscriminadamente um fator de forma ao índice usado para escolher o teor de areia pode conduzir a uma interpretação inadequada. Uma areia angular pode exigir mais água sem justificar a mesma redução de teor que seria considerada para uma areia apenas mais fina.

Na lógica discutida nesta série, o índice granulométrico orienta a proporção dos materiais, enquanto os efeitos de forma e textura sobre a água precisam ser considerados e calibrados separadamente.

O que levar para a próxima parte

A superfície geométrica explica por que o tamanho dos grãos importa. Para estimar o comportamento do concreto, Day trabalha com fatores modificados, que procuram representar a experiência prática sem reproduzir literalmente a relação 6/D.

Fonte e contexto editorial

Reescrita do artigo original desta parte, publicado no Clube do Concreto. As ideias de Ken Day são apresentadas em caráter explicativo. Os quadros e esquemas foram redesenhados; as distinções entre modelo geométrico, índice empírico e aplicação experimental foram explicitadas.

Ler Mais

4. Ken W. Day: seu conhecimento não será esquecido

 Clube do Concreto • Memória da engenharia • Parte 4 de 4

Ken W. Day: seu conhecimento não será esquecido

O livro, a esperança de continuidade e a homenagem do Clube do Concreto a quem dedicou a vida a ensinar.

O homem parte. O conhecimento não precisa partir com ele. Esta última parte da homenagem é dedicada ao que Ken Day deixou escrito — e à responsabilidade de quem recebe essa herança.

O livro de uma vida

Concrete Mix Design, Quality Control and Specification reúne grande parte de sua contribuição. Dosagem, ensaios, estatística, controle e especificação aparecem como assuntos conectados à produção.

A terceira edição, de 2006, contém a passagem que motivou esta homenagem. A quarta edição tem como autores Ken W. Day, James Aldred e Barry Hudson, ampliando a continuidade desse trabalho. [fonte] [fonte]

Capa de Concrete Mix Design, Quality Control and Specification, quarta edição
Capa da quarta edição, de Ken W. Day, James Aldred e Barry Hudson. Obra publicada pela CRC Press / Taylor & Francis. Imagem de divulgação editorial, disponibilizada no catálogo bol.com.

A esperança de que outros continuassem

Na Introdução da terceira edição, Day explica que seu livro e os programas gratuitos de seu site ajudariam a levar seus desenvolvimentos também aos pequenos produtores. Ao desejar a continuidade da atualização dessas informações, escreveu:

“perhaps even by others after my own final full retirement”
Ken W. Day, Introdução da terceira edição.

Em tradução livre: talvez até por outros depois de minha aposentadoria definitiva. [fonte]

O trecho expressa uma esperança de continuidade. Não é uma declaração literal de medo de ser esquecido, nem permite afirmar que ele usou a aposentadoria como sinônimo de morte. Mas podemos reconhecer ali uma preocupação com o futuro da difusão de seu trabalho.

É a essa esperança que o Clube do Concreto deseja responder. O conhecimento continua encontrando leitores. Suas ideias ainda merecem ser estudadas, discutidas e transmitidas.

O reconhecimento em vida

Em 2011, Ken Day recebeu o Richard D. Gaynor Award, da NRMCA. A homenagem recorda sua atuação internacional e o reconhecimento por entidades profissionais, incluindo o American Concrete Institute e o Concrete Institute of Australia. [fonte]

Naquele momento, a entidade também registrou seu desejo de concluir uma quarta edição do livro. A publicação posterior, com Aldred e Hudson, é um exemplo concreto de como a continuidade de uma obra pode envolver outras pessoas.

O tecnologista permanece em sua obra

Uma homenagem publicada pela Concrete International registra seu falecimento em 17 de março de 2016, aos 85 anos, citando informações transmitidas por seu filho John. [fonte]

Para o Clube do Concreto, a lembrança de um profissional como Ken Day não se resume a uma data. Ela está no hábito de consultar o trabalho original, indicar a autoria de um método e reconhecer o esforço de quem tornou determinado conhecimento acessível.

Como manter um legado vivo
01
Estudar

Ler os trabalhos e compreender seu contexto.

02
Reconhecer

Citar os autores e examinar seus métodos.

03
Transmitir

Compartilhar o aprendizado com quem vem depois.

Quadro ilustrado editorial • Clube do Concreto.

Por isso existe o Clube do Concreto

Compartilhar conhecimento é uma das razões da existência deste espaço: o conhecimento dos livros, das fábricas, dos laboratórios e das obras. Também aquele que se forma depois de erros, acertos, noites de cálculo e muitos anos de experiência.

Ken Day é um dos nomes que merecem permanecer nessa conversa. Quando utilizamos uma ideia, lembrar sua origem é uma forma de justiça técnica. Quando discutimos suas limitações, também ajudamos a manter o conhecimento vivo.

Esta homenagem nasce de uma convicção pessoal e de um compromisso editorial. Não pretende falar em nome de todos os profissionais, mas certamente poderá encontrar companhia entre aqueles que estudam e valorizam a tecnologia do concreto.

Ken Day, o Clube do Concreto não esqueceu

Não esqueceremos sua contribuição à dosagem, seu empenho no controle estatístico e sua disposição para ensinar. Não esqueceremos o esforço de aproximar conhecimento e produção, nem a importância de tornar ferramentas úteis acessíveis a mais profissionais.

Conhecimento técnico permanece vivo quando é estudado, utilizado, questionado e transmitido à próxima geração.
Compromisso do Clube do Concreto.

Ken W. Day, obrigado por aquilo que deixou. O Clube do Concreto assume sua parcela nessa responsabilidade: continuar lembrando, estudando e compartilhando.

Homenagem do Clube do Concreto
Eng. Ruy Serafim de Teixeira Guerra
Em reconhecimento a quem dedica uma vida à engenharia e compartilha seu conhecimento.
Identificador da série: KEN-DAY-LEGADO-4
Ler Mais

3. Ken W. Day: do ConAd às especificações por desempenho

 Clube do Concreto • Memória da engenharia • Parte 3 de 4

Ken W. Day: do ConAd às especificações por desempenho

A informática, a experiência das Torres Petronas e a defesa de um concreto avaliado pelo que entrega.

Milhares de resultados não deveriam simplesmente ocupar arquivos. Deveriam produzir informação — e a informação deveria apoiar decisões. A trajetória de Ken Day ajuda a contar essa aproximação entre tecnologia do concreto e informática.

ConAd: conhecimento transformado em ferramenta

Os conceitos de Day foram incorporados ao ConAd. A homenagem da NRMCA o reconhece como pioneiro na dosagem informatizada e no controle estatístico, registrando a posterior incorporação de seu programa ao software de uma empresa do setor. [fonte]

O ponto mais interessante dessa história vai além do nome comercial de um sistema. Day procurou transformar conhecimento em uma ferramenta utilizável. Um método só alcança a produção quando alguém consegue empregá-lo nas decisões do dia a dia.

Para quem hoje trabalha com planilhas e programas de cálculo, essa intenção é familiar. O ganho não está apenas em fazer contas mais rapidamente: está em organizar informações de modo que possam ser compreendidas e utilizadas.

O valor de uma ferramenta técnica
01
Dados

Registros que descrevem materiais e produção.

02
Análise

Relações e tendências que merecem atenção.

03
Decisão

Conhecimento aplicado ao processo.

Quadro ilustrado editorial • Clube do Concreto.

A experiência das Torres Petronas

Uma aplicação destacada pela NRMCA ocorreu nas Torres Petronas, na Malásia. Segundo a entidade, John Day, filho de Ken, empregou os conceitos do pai no controle da produção de concreto do empreendimento.

O relato menciona um conjunto final de 200 resultados com resistência média superior a 14.000 psi e desvio-padrão de 450 psi — aproximadamente 96,5 MPa de média e 3,1 MPa de desvio-padrão. Esses números descrevem aquele conjunto de resultados; não representam toda a produção da obra nem uma garantia de desempenho para outras situações. [fonte]

A mensagem que interessa à homenagem é a associação entre ambição técnica e acompanhamento da produção. Uma obra extraordinária também oferece a oportunidade de demonstrar o valor de um trabalho cuidadoso, organizado e contínuo.

Especificar o que o concreto deve entregar

Day também se destacou na defesa de especificações baseadas em desempenho. A discussão aparece em sua obra como uma questão central: como aproximar as exigências do projeto, o conhecimento do produtor e a avaliação do concreto? [fonte]

Na apresentação de seu trabalho, o foco não fica restrito à resistência. A quarta edição do livro também discute durabilidade, confiabilidade dos ensaios, materiais cimentícios e sustentabilidade. A especificação é tratada como parte do processo de obter o material desejado. [fonte]

Uma boa especificação precisa orientar a obtenção de um bom concreto.
Reflexão editorial do Clube do Concreto.

Recordar essa posição não significa dispensar exigências normativas ou critérios de projeto. Significa compreender o debate que Day ajudou a estimular: como tornar a especificação tecnicamente coerente com as propriedades que se pretende alcançar e verificar.

O profissional continua no centro

A tecnologia pode facilitar a análise, mas não substitui o cuidado com a informação. Um programa carrega hipóteses, critérios e limites. Conhecê-los é parte do trabalho de quem o utiliza.

Esse aspecto aproxima a história de Ken Day da experiência de muitos leitores do Clube do Concreto. Quem cria uma planilha, organiza um controle de fábrica ou orienta uma equipe sabe que a ferramenta precisa servir à compreensão do problema.

O legado de Day reúne, assim, método, aplicação e comunicação. Ele desenvolveu ideias, procurou torná-las operacionais e dedicou energia a explicá-las. Na última parte, voltaremos ao livro e à passagem em que manifestou a esperança de que outros continuassem a difundir seu conhecimento.

Homenagem do Clube do Concreto
Eng. Ruy Serafim de Teixeira Guerra
Em reconhecimento a quem dedica uma vida à engenharia e compartilha seu conhecimento.
Identificador da série: KEN-DAY-LEGADO-3
Ler Mais

2. Ken W. Day: dosar, acompanhar e compreender o concreto

 Clube do Concreto • Memória da engenharia • Parte 2 de 4

Ken W. Day: dosar, acompanhar e compreender o concreto

As contribuições para a dosagem e o controle estatístico que ajudaram a transformar dados em decisões.

Um resultado de resistência informa o que aconteceu com uma amostra. Um sistema de controle procura compreender o que está acontecendo com a produção. Essa distinção ajuda a entender a importância do trabalho de Ken Day.

Na primeira parte, conhecemos o profissional e sua trajetória. Agora, o olhar se volta às ideias que tornaram seu nome uma referência para quem procura combinar dosagem, acompanhamento e decisão.

Controlar não é apenas acumular ensaios

Uma central pode possuir muitos resultados e, ainda assim, aproveitar pouco a informação que eles contêm. Arquivar números não significa perceber tendências. A utilidade do acompanhamento depende de interpretar esses registros e agir quando o processo apresenta alterações.

Essa é uma leitura central da contribuição de Day: transformar o controle em uma atividade capaz de apoiar a produção, e não apenas registrar sua história depois que o concreto já foi entregue.

Da observação à ação
01
Acompanhar

Reunir resultados e informações da produção.

02
Interpretar

Investigar mudanças de comportamento.

03
Corrigir

Agir sobre causas identificadas e verificar o efeito.

Quadro ilustrado editorial • Clube do Concreto.

Multigrade, Multivariable CUSUM

A NRMCA reconhece Day pelo desenvolvimento da metodologia Multigrade, Multivariable CUSUM aplicada ao controle do concreto. CUSUM vem de cumulative sum, ou soma cumulativa. Sua contribuição está na aplicação e no desenvolvimento dessa abordagem para a produção de concreto, não na invenção da técnica estatística em si. [fonte]

Na apresentação conceitual de seu sistema, diferentes classes de concreto e diferentes propriedades medidas contribuem para reconhecer alterações. A proposta é aproveitar os dados em conjunto para apoiar a identificação de problemas potenciais.

É importante preservar o sentido dessa ideia: um sinal estatístico orienta a investigação; não constitui, sozinho, a identificação automática de uma causa. A leitura técnica e o conhecimento da produção continuam essenciais.

O objetivo não é colecionar números. É fazer com que a informação ajude a melhorar a produção.
Síntese editorial do Clube do Concreto; não é uma citação de Ken Day.

Dosagem pela superfície específica

Outra contribuição reconhecida de Day é o emprego de conceitos de superfície específica dos agregados na dosagem, procurando obter misturas adequadas a diferentes formas de lançamento. [fonte]

Ao recordar essa abordagem, interessa destacar sua intenção: compreender melhor a relação entre os materiais escolhidos e o comportamento da mistura. A dosagem deixa de ser tratada como uma receita isolada e passa a fazer parte de uma investigação sobre o concreto que se deseja produzir.

No artigo que deu origem a esta série, o Clube também relembra o MSF — Mix Suitability Factor, conceito associado à metodologia de Day. Aqui ele é apresentado como parte de seu legado, sem transformar esta homenagem em um roteiro de cálculo ou atribuir a um único indicador a avaliação completa do concreto.

O concreto precisa servir à sua aplicação

Quem acompanha a fabricação de pré-moldados ou a execução de uma concretagem sabe a importância de observar o material durante o processo. É nesse contato com a produção que as perguntas de Day encontram seu valor: o que mudou? Por que mudou? Que informação ajuda a decidir?

Essas perguntas não perdem utilidade com a chegada de ferramentas mais modernas. Planilhas, programas e bancos de dados podem ampliar nossa capacidade de observar; o compromisso de compreender os resultados permanece.

Uma herança que exige participação

Preservar os métodos de um autor não significa repeti-los sem exame. Significa conhecê-los, reconhecer sua origem e avaliar onde continuam úteis. A melhor homenagem técnica é uma leitura atenta, acompanhada da experiência e da verificação.

Ken Day procurou aproximar estatística e prática industrial. Na terceira parte, veremos como essa preocupação encontrou espaço na informática e na discussão sobre o modo de especificar concreto.

Homenagem do Clube do Concreto
Eng. Ruy Serafim de Teixeira Guerra
Em reconhecimento a quem dedica uma vida à engenharia e compartilha seu conhecimento.
Identificador da série: KEN-DAY-LEGADO-2
Ler Mais

1. Ken W. Day: uma vida dedicada ao concreto

Clube do Concreto • Memória da engenharia • Parte 1 de 4

Ken W. Day: uma vida dedicada ao concreto

A trajetória, a família e a paixão de um tecnologista que fez do conhecimento uma missão.

Há profissionais que exercem uma profissão. Outros deixam contribuições. E existem aqueles que dedicam praticamente toda uma vida a compreender um material e compartilhar o que aprenderam. Ken W. Day pertenceu a esse último grupo.

Para quem trabalha com tecnologia, produção, dosagem e controle de qualidade do concreto, seu nome merece permanecer presente. Esta série do Clube do Concreto nasce desse compromisso: recordar a trajetória de um profissional e, sobretudo, manter suas ideias em circulação.

Ken Day, seu trabalho permanece vivo. Nós não esquecemos.
Homenagem do Clube do Concreto.
Retrato de Ken W. Day publicado pela NRMCA
Ken W. Day, em retrato divulgado pela NRMCA na homenagem do Richard D. Gaynor Award de 2011. Fonte: NRMCA; fotógrafo não identificado na página consultada.

Da Inglaterra à indústria australiana

Britânico de origem e com carreira consolidada na Austrália, Ken Day formou-se em Engenharia Civil pela Universidade de Manchester em 1952. Sua atuação reuniu projeto estrutural, ensino universitário, produção industrial e consultoria. Trabalhou com concreto usinado e pré-moldado e investigou problemas em concretos, inclusive como perito. [fonte]

A descrição de sua trajetória feita pela editora de seu livro registra experiência em produção, pesquisa e desenvolvimento e gestão, além de aproximadamente trinta anos à frente de sua própria consultoria. Era um profissional que transitava entre o cálculo, o laboratório e a fábrica. [fonte]

Esse encontro entre conhecimento e prática ajuda a compreender sua obra. O concreto não aparecia apenas como um conjunto de equações: era um produto que precisava ser misturado, transportado, lançado e controlado todos os dias.

Connie e a vida além da profissão

A biografia anteriormente publicada pelo Clube do Concreto também apresenta o homem por trás do tecnologista. Segundo esse relato, Ken e Constance, conhecida como Connie, se conheciam desde os tempos de escola e ambos estudaram em Manchester. Ela se formou em francês e, na Austrália, trabalhou como professora.

O casal construiu sua vida em Victoria e teve três filhos: Peter, Helen e John. A narrativa recorda viagens, atividades de aprendizagem na aposentadoria e interesses de Ken como jardinagem e dança de salão. Connie faleceu em 2012. Esses registros pessoais ajudam a lembrar que uma trajetória técnica também é feita de família, convivência e projetos compartilhados. [fonte]

Um evangelista da tecnologia do concreto

Ken gostava de se apresentar como “an evangelistic concrete technologist”. Essa maneira bem-humorada de se definir foi recordada nas páginas da Concrete International: sua disposição para difundir tecnologia era uma característica marcante. [fonte]

A expressão combina com alguém que não se contentava em desenvolver um método e guardá-lo. Era preciso explicar, debater, demonstrar e convencer. O conhecimento tinha de chegar a quem efetivamente produzia concreto.

Uma carreira entre conhecimento e prática
01
Indústria

Produção de concreto usinado e pré-moldado.

02
Ensino

Formação e difusão de conhecimento técnico.

03
Consultoria

Investigação de problemas e orientação à produção.

Quadro ilustrado editorial • Clube do Concreto.

Reconhecer o profissional é estudar sua obra

Uma homenagem só ganha profundidade quando vai além do nome. No caso de Ken Day, isso significa discutir dosagem, variabilidade, controle estatístico e especificações. São assuntos que chegam à rotina de quem precisa produzir bem e perceber a tempo que algo mudou.

Não é necessário concordar com todas as suas posições para reconhecer seu valor. Um autor permanece relevante também quando suas propostas são examinadas criticamente, comparadas e testadas. O esquecimento começa quando deixamos de fazer essas perguntas.

O Clube do Concreto abre esta série com gratidão. Na próxima parte, entramos no centro de sua contribuição: a diferença entre obter resultados de ensaio e controlar efetivamente a produção.

Homenagem do Clube do Concreto
Eng. Ruy Serafim de Teixeira Guerra
Em reconhecimento a quem dedica uma vida à engenharia e compartilha seu conhecimento.
Identificador da série: KEN-DAY-LEGADO-1
Ler Mais

Quadro de Ferro Automático

QFERRO

O quadro de ferro que monta-se sozinho, a partir do detalhamento que você já desenhou.

Se você detalha estrutura, sabe como é: o desenho fica pronto rápido, e aí começa a parte chata. Contar ferro, somar comprimento, calcular peso por bitola, montar a tabela, conferir. Uma tarde inteira em algo que não é projeto, é digitação.

O QFERRO faz isso em dez segundos. Ele lê as marcações que você já escreveu na prancha e monta o Quadro de Ferros e o Resumo de Aço prontos, na hora.

São três comandos

Não tem menu, não tem configuração, não tem projeto para importar. Você digita, seleciona e clica.

QFERRO
Seleciona o detalhamento e gera o quadro daquela peça, com o resumo de aço ao lado.

QFTOTAL
Seleciona todos os quadros da prancha e soma a obra inteira, já multiplicando pela quantidade de peças de cada um.

QF-ATIVAR
A janela de licença. Você usa uma vez e esquece que existe.

Na janela do QFERRO os campos ficam à esquerda e, à direita, a lista dos ferros que ele reconheceu. Você confere se ele entendeu tudo antes de inserir o quadro no desenho.

E ele acha o erro que passa despercebido

Duas posições com o mesmo número. Acontece com todo mundo, principalmente quando a prancha cresce e você copia um detalhe para reaproveitar. O problema é que esse erro não aparece: o quadro sai bonito, com uma posição a menos, e a conta de aço vai errada para a obra.

O QFERRO circula em vermelho no desenho toda posição repetida e avisa na tela, antes de montar o quadro. Você corrige em trinta segundos, em vez de descobrir na hora da compra.

O que vem junto

  • O programa, num arquivo só, que carrega no AutoCAD em dois cliques
  • Abas para viga e pilar, com seção retangular
  • Cálculo de volume de concreto e taxa de ferro
  • Manual em PDF, curto, que se lê em dez minutos
  • Suporte por e-mail comigo mesmo, não é robô nem ticket

Quanto custa

A licença é por período e vale para um computador. Você escolhe o prazo que faz sentido para o seu momento. Dá para começar pelo trimestral e migrar para o anual depois.

Preço de lançamento

Estes são os valores de lançamento, válidos até Dezembro. Depois dessa data eles sobem.

Licença anual

preço de lançamento

R$ 360

12 meses · sai por R$ 30 por mês · uma licença por computador

Eu Quero!

Licença trimestral

preço de lançamento

R$ 120

3 meses · para quem quer começar com um compromisso menor

Eu Quero!

qferro.suporte@gmail.com

No anual o mês sai por R$ 30; no trimestral, por R$ 40.
Preço de lançamento, válido até Dezembro.
Escritório com mais de três projetistas? Me escreva que faço o pacote.

O que costumam me perguntar

Funciona na minha versão do AutoCAD?

Funciona em qualquer versão que aceite AutoLISP, o que inclui praticamente todas as versões completas dos últimos anos. No AutoCAD LT não funciona, porque o LT não roda LISP.

Preciso mudar o jeito que eu desenho?

Quase nada. A marcação continua a de sempre — e tanto faz escrever N1-2Ø10-514 ou 4 N4 Ø10-514, com a quantidade antes ou depois da posição. A única regra é que o N venha antes da bitola, e que a marcação esteja num texto só.

Uma licença serve para dois computadores?

Não, cada máquina precisa da sua. Mas se você trocar de computador ou formatar dentro do período contratado, é só me avisar que eu emito outra sem custo.

O que acontece quando o prazo acaba?

O programa para de gerar quadros, mas nada do que você já desenhou se perde. As tabelas continuam no arquivo, são desenho normal do AutoCAD. Para voltar a usar, é só renovar.

Esse programa nasceu de uma irritação minha, e boa parte do que ele faz hoje veio de pedido de quem usa. Se faltar alguma coisa que faria diferença no seu trabalho, me diga. Costumo atender.

Compre Aqui:

qferro.suporte@gmail.com

Ler Mais
 
Clube do Concreto . | by TNB ©2010